domingo, fevereiro 06, 2005


darktree

Raiz morta

Hoje, simplesmente, não sei,
analfabeto de mim,
não sei de onde vim,
para onde vou,
ao que vim.
Sinto-me árvore desenraizada à procura de alimento,
desesperado,
confuso,
difuso.
Sou sentimento,
raiz de braços infindos,
abertos,
inseguros,
sedentos.
Só nascendo outra vez,
replantado em terra outra,
porque esta jaz morta,
em sangue do mundo,
decapitado,
humilhado,
mudo.
Morreu-me o olhar puro
que se desfez,
caído no fundo.

Não chamem por mim,
Hoje morri,
e amanhã também...

Jeremias

quarta-feira, fevereiro 02, 2005


noose

Dor que rima com amor...

Em meio a toda dor,
Percebi quem és...
És a culpa que carrego nos ombros,
És a vida que deixei de viver,
Os sonhos que abandonei.
És todo veneno amargo que provei,
Os caminhos errados que trilhei.
És os versos que não fiz,
Os nós que não desatei.
És todas as dúvidas que me queimam a alma,
Todo amor que não fiz,
Que não recebi... Que não dei.
És todos os desenganos,
Todas as desilusões,
Todas as confusões que gerei.
És a única resposta pra todas as minhas perguntas,
As chaves de todas as portas trancadas,
A insônia das noites de silêncio,
Em que escrevi sem parar...
És o sentimento que me sufoca,
O grito preso na garganta,
És a venda que cobria meus olhos,
O espinho que me magoava a carne.
És tudo isso e muito mais...
És também a liberdade que hoje te dou
E o amor que guardo pra ti...
E te deixo em paz!!!

Vinha

terça-feira, fevereiro 01, 2005


o grito

Eco

Se eu gritar ouves o meu grito?
Ouves até ao fim
Mesmo que ouvindo te doa
Te perfure os tímpanos, te atravesse
Como me atravessa a mim?
Guardas o meu grito?
Lembrar-te-ás um dia
Quando já não me ouvires,
Quando eu for só memória,
Quando o grito ecoar longínquo
Como trovão que ainda ribomba
Mas já passou,
Quando o grito for só sussurro
Lembrar-te-ás quem o gritou?

Encandescente