A dança dos encéfalos acesos Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços As cabeças, as mãos, os pés e os braços Tombara, cedendo à acção de ignotos pesos! É então que a vaga dos instintos presos — Mãe de esterilidades e cansaços — Atira os pensamentos mais devassos Contra os ossos cranianos indefesos. Subitamente a cerebral coréa Pára. O cosmos sintético da Ideia Surge. Emoções extraordinárias sinto... Arranco do meu crânio as nebulosas. E acho um feixe de forças prodigiosas Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!Augusto dos Anjos
Ora foi que certo diao homem eclipsou-sea data digam a dataa datazinha faz favorqual data foi por decretoque a gente se eclipsoufoi só manobra esperticeum dois três e pronto é noiteque nem a lua apareçaseja de que lado forUns seguraram-se logoeram espertos bem se viuoutros cairam ao marcom cabeça pernas e tudoquanto a mim perdi a calmafiquei desaparafusadotradição cultura estilocerteza amigos fatiotatudo fora do seu sítioum desaparafuso terrível
Segurem-me camaradassinto pernas a boiarcheiro fantasmas enxofreestou aqui mas posso voaro parafuso da línguavai partido vai saltaragarrem-me! agarra!prontopari o mais leve que o ar
Mário Cesariny
Ontem às onzefumaste um cigarroencontrei-tesentadoficámos para perdertodos os teus eléctricosos meusestavam perdidospor natureza própriaAndámosdez quilómetrosa péninguém nos viu passarexceptoclaroos porteirosé da natureza das coisasser-se vistopelos porteirosOlhacomo só tu sabes olhara rua os costumesO Públicoo vinco das tuas calçasestá cheio de frioe há quatro mil pessoas interessadasnissoNão faz mal abracem-meos teus olhosde extremo a extremo azuisvai ser assim durante muito tempodecorrerão muitos séculos antes de nósmas não te importesnão te importesmuitonós só temos a vercom o presenteperfeitocorsários de olhos de gato intransponívelmaravilhados maravilhosos únicosnem pretérito nem futuro temo estranho verbo nosso Mário Cesariny
Pega-me tu ao colo E leva-me para dentro da tua casa. Despe o meu ser cansado e humano E deita-me na tua cama. E conta-me histórias, caso eu acorde, Para eu tornar a adormecer. E dá-me sonhos teus para eu brincar Até que nasça qualquer dia Que tu sabes qual é. Alberto Caeiro
London calling to the faraway townsNow war is declared - and battle come downLondon calling to the underworldCome out of the cupboard,you boys and girlsLondon calling, now don't look to usPhoney Beatlemania has bitten the dustLondon calling, see we ain't got no swing'Cept for the reign of that truncheon thingThe ice age is coming, the sun's zooming inMeltdown expected, the wheat is growing thinEngines stop running, but I have no fearCause London is burning and I, I live by the riverLondon calling to the imitation zoneForget it, brother, you can go at it aloneLondon calling to the zombies of deathQuit holding out - and draw another breathLondon calling - and I don't wanna shoutBut while we were talking I saw you nodding outLondon calling, see we ain't got no hideExcept for that one with the yellowy eyesThe ice age is coming, the sun's zooming inEngines stop running, the wheat is growing thinA nuclear era, but I have no fearCause London is drowning and I, I live by the riverNow get thisLondon calling, yes, I was there, tooAn' you know what they said? Well, some of it was true!London calling at the top of the dialAnd after all this, won't you give me a smile?London CallingI never felt so much alike, like-a, like-a...The Clash
Reconheço este quarto impermeávelreconheço-te estás adormecidoo peito muito aberto as mãos luminosaso grande talento dos teus dentes miúdosHá o perigo de um grito lindíssimoquando andas assim comigo no invisívelQuando a manhã vier sairás comigopara o espaço que nos falta para o amorque nos faltaA auroraestá fatigadaa auroracomo um no nossoem torno dos elevadoresTinha eu a idadede um marselhêssilenciosoe tímidoTu davas-me a lousa dos magoso teu riso as letrasmais obscuras do alfabetoFoi há muito tempoou agorana caverna dos leões expressivosA caverna que dá para a cavernaa caverna os lagos diligentesBelo tu és belocomo um grande espaço cirúrgicoPorque tu não tens nome existesA minha bocasabe à tua bocaA minha bocaperdeu a memórianão pode falar as palavrasentram no seu túnele não é preciso segui-lasDisse que és altoaltobranco e despovoadoMário Cesariny
I've seen you a while nowLong enough to be closeThere's some things about you That I should know(I still don't)With all the questions we didn't askOur conversations could never lastOur moments alone were scarce and fewIt was just easier to hide the truthIf all of our secrets were exposedWould we be sharing the same bedHow 'bout if I broke the silence firstDid I hear what you're thinking in your headI need to be talked to, I need to be touchedI need you to hold me, I need to feel lovedAnd if I could open up to youMaybe I could open you upBut instead I got the phone callJust thought I'd call to let you knowI wanna be alone all night again...Phone callJust thought I'd call to let you knowI wanna be alone all night againWith all the questions we didn't askOur conversations could never lastI need to be talked to, I need to be touchedI need you to hold me, I need to feel lovedAnd if I could open up to youMaybe you could open up to meWe'd do all the things that lovers doI've been meaning to tell you how I feel...But instead I got the phone callJust thought I'd call to let you knowI wanna be alone all night again...Phone callJust thought I'd call to let you knowI wanna be alone all night againThe Faint