quarta-feira, dezembro 22, 2004


summoning

Deambulatório Mútuo

Voamos
Tu e eu
Cruzando esses céus de negro pintados
Como espíritos perdidos
Num mundo de ninguém
Fundimo-nos
E dispersamo-nos
Como raios fulminantes
Na mais arrebatadora tempestade
Fazemos do sonho a loucura que nos une
Para assim errarmos eternamente
Num constante metamorfosear
De alucinantes delírios
Passamos do nada ao tudo
E permanecemos esquecidos
Na abstracção da nossa existência
E na ilusão desta mera realidade
Somos um do outro
Sem o sabermos e sem existirmos

Karl Goth

sexta-feira, dezembro 03, 2004


waiting

Acalanto

Vai amado.
Busca por onde quiseres,
com quem quiseres,
como quiseres,
o prazer.
Até mesmo,
aquele prazer que um dia alguém apelidou de amor.
E, se por acaso te cansares
e,
do compromisso que um dia nos uniu te lembrares,
se desejares,
volta.
Serei a que conforta.
Não saberás da dor,
da saudade,
das lágrimas sentidas que tua ausência causou.

Ada Ciocci

quinta-feira, dezembro 02, 2004


royo

Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insónia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca